Uma cozinha por medida começa muito antes da escolha da cor das portas. Começa numa fita métrica, num esboço da parede e numa pergunta simples: como é que esta casa é realmente usada? Quem cozinha, quantas pessoas se sentam à mesa, onde se guardam as compras da semana, de que lado entra a luz natural. As respostas a estas perguntas transformam-se em medidas, e as medidas transformam-se em módulos, painéis e ferragens. Este guia percorre esse caminho, da medição ao desenho final, para que saiba o que perguntar e o que verificar em cada fase.
O que distingue uma cozinha por medida
Uma cozinha de série é composta por módulos com larguras fixas, normalmente em múltiplos de 10 ou 20 centímetros. Quando a parede não coincide com essa grelha, sobram espaços que se resolvem com painéis de enchimento, e esses espaços são arrumação perdida. Numa cozinha por medida, a largura de cada módulo é definida a partir da parede real. O resultado é uma composição contínua, sem folgas desnecessárias, em que cada centímetro tem uma função.
A diferença não está apenas na largura. Uma cozinha desenhada por medida permite ajustar a altura das colunas ao pé-direito, contornar pilares e vigas, alinhar portas com janelas e prever o lugar exato de cada eletrodoméstico. Permite também escolher materiais e ferragens peça a peça, em vez de aceitar um pacote fechado.
Quando compensa optar por medida
Há situações em que a escolha é quase obrigatória:
- paredes fora de esquadria ou com desníveis visíveis;
- pés-direitos altos, onde colunas de série deixam uma faixa vazia até ao teto;
- pilares, condutas de fumo ou caixas de estore que interrompem a parede;
- cozinhas pequenas, em que cada gaveta conta;
- cozinhas abertas para a sala, onde o mobiliário tem de dialogar com o resto da casa.
Mesmo numa divisão regular, a medida faz sentido quando procura um desenho coerente do chão ao teto, com materiais escolhidos por si e uma arrumação pensada para os seus utensílios.
Como medir a cozinha corretamente
Um bom projeto depende de boas medidas. Antes de desenhar, registe:
- o comprimento de cada parede, medido a três alturas diferentes (junto ao chão, a meia altura e junto ao teto), porque as paredes raramente são perfeitamente direitas;
- o pé-direito em vários pontos da divisão;
- a posição e as dimensões de portas e janelas, incluindo a altura do peitoril;
- os pontos de água, esgoto, gás e as tomadas existentes;
- a localização de radiadores, quadros elétricos e caixas de visita;
- a esquadria dos cantos, que pode ser verificada com a regra 3, 4, 5 (três unidades numa parede, quatro na outra, cinco na diagonal).
Fotografe cada parede de frente e anote as medidas sobre a fotografia. Este registo simples evita a maior parte dos erros de projeto. Antes da produção, as medidas devem ser confirmadas, sobretudo se a obra ainda não estiver terminada.
Escolher o layout
O layout define a forma como se circula e trabalha na cozinha. Os mais comuns são:
- Linear: todos os módulos numa só parede. Adequado a espaços estreitos e cozinhas integradas na sala.
- Em L: duas paredes contíguas. Liberta o centro da divisão e permite uma mesa ou uma ilha.
- Em U: três paredes. Oferece a maior superfície de bancada e de arrumação.
- Paralela ou em corredor: duas bancadas frente a frente. Muito eficiente, desde que o corredor tenha pelo menos 110 a 120 centímetros.
- Com ilha ou península: acrescenta bancada, lugares sentados e arrumação dos dois lados.
Em qualquer layout, vale a pena pensar no chamado triângulo de trabalho: a relação entre frigorífico, lava-loiça e placa. Distâncias demasiado curtas criam conflito; demasiado longas obrigam a caminhar. Entre estes três pontos deve existir bancada livre para pousar e preparar.

Alturas e profundidades de referência
Não existem medidas universais, mas há valores de referência que servem de ponto de partida:
- Altura da bancada: entre 85 e 92 centímetros, ajustada à altura de quem cozinha. Uma regra prática é ficar cerca de 10 a 15 centímetros abaixo do cotovelo.
- Profundidade dos módulos inferiores: cerca de 60 centímetros, com o tampo a avançar ligeiramente sobre as portas.
- Profundidade dos módulos superiores: entre 30 e 35 centímetros, para não interferir com a cabeça de quem trabalha.
- Distância entre bancada e módulos superiores: entre 50 e 60 centímetros, tendo em conta o exaustor e os pequenos eletrodomésticos.
- Rodapé: normalmente entre 10 e 15 centímetros, recuado em relação às portas para os pés.
Numa cozinha por medida, estes valores ajustam-se ao utilizador e ao espaço. Uma pessoa alta beneficia de uma bancada mais elevada; uma cozinha com teto alto pode receber colunas até ao teto com um módulo superior para objetos de uso ocasional.
Materiais: caixa, frentes e tampos
A estrutura dos módulos, a que se chama caixa, é habitualmente feita em aglomerado revestido a melamina, com 18 ou 19 milímetros de espessura. É um material estável, fácil de limpar e com boa resistência à humidade quando as orlas estão bem aplicadas.
As frentes são a parte visível e definem o carácter da cozinha:
- Melamina e termolaminado: resistentes e com grande variedade de cores e texturas, incluindo imitações de madeira muito realistas.
- MDF lacado: superfície contínua, mate ou brilhante, ideal para cozinhas sem puxadores.
- Folha de madeira natural: carvalho, nogueira e outras espécies, com veio verdadeiro e acabamento a verniz ou óleo.
Para o tampo, as opções mais comuns são o laminado, o quartzo compacto, a pedra natural, a madeira maciça e o porcelânico de grande formato. A escolha depende da utilização: quem cozinha muito valoriza resistência ao calor e às manchas; quem procura uma cozinha mais escultórica pode preferir uma pedra com veio marcado.
Ferragens: a parte que não se vê
As ferragens determinam o modo como a cozinha funciona ao longo dos anos. Na PIMO trabalhamos com ferragens Hettich: dobradiças com amortecimento integrado, gavetas de extração total que deixam ver todo o conteúdo, sistemas basculantes para módulos superiores e soluções de canto que recuperam espaço difícil de alcançar.
Gavetões nos módulos inferiores são hoje preferíveis a portas com prateleiras. Permitem ver e retirar tachos e loiça sem ajoelhar, e organizam melhor o interior com divisórias.
O que influencia o orçamento
O valor de uma cozinha por medida depende de vários fatores, que convém conhecer antes de pedir propostas:
- a dimensão total e o número de módulos;
- o material das frentes e do tampo;
- o tipo e a quantidade de ferragens;
- elementos especiais, como colunas até ao teto, ilhas, vitrines ou iluminação integrada;
- adaptações à obra, como paredes irregulares ou pontos técnicos a deslocar.
Um orçamento claro deve discriminar estes elementos. Ao comparar propostas, compare também os materiais e as ferragens indicados, e não apenas o valor final.
Do desenho à produção com o PIMO PRO
O PIMO PRO é a plataforma de design da PIMO. Funciona no navegador e permite desenhar a cozinha em 3D a partir das medidas da sua divisão: colocar módulos, ajustar larguras e alturas, definir portas e gavetas e experimentar materiais. Ver a cozinha em três dimensões antes da produção ajuda a detetar conflitos que um desenho plano esconde, como uma porta que bate num puxador ou uma gaveta que não abre junto a um canto.
O mesmo projeto serve de base à produção. As medidas desenhadas dão origem à lista de corte em milímetros, às ferragens necessárias e à documentação técnica de cada módulo. Pode explorar módulos já desenhados na loja de cozinha, como o móvel baixo de 2 portas e 3 gavetas ou a coluna para forno e micro-ondas, e usá-los como ponto de partida.
Perguntas frequentes
Uma cozinha por medida é sempre mais cara do que uma de série?
Não necessariamente. Depende dos materiais, das ferragens e da complexidade do espaço. Em divisões irregulares, a medida evita painéis de enchimento e aproveita melhor a parede, o que pode compensar a diferença.
Posso desenhar a minha cozinha antes de pedir orçamento?
Sim. Pode fazer um primeiro desenho no PIMO PRO com as suas medidas e partilhar a ideia ao pedir orçamento. O projeto é depois revisto do ponto de vista técnico antes da produção.
Que medidas devo enviar?
O comprimento de cada parede a três alturas, o pé-direito, a posição de portas, janelas e pontos técnicos, e fotografias de cada parede. Quanto mais completo for o registo, mais rigoroso será o primeiro desenho.
Qual é a melhor altura para a bancada?
Para a maioria das pessoas, entre 85 e 92 centímetros. A referência mais fiável é a altura do cotovelo de quem cozinha: a bancada deve ficar cerca de 10 a 15 centímetros abaixo.
Que ferragens usa a PIMO?
Trabalhamos com ferragens Hettich em dobradiças, gavetas e sistemas de abertura.
Para mais ideias, veja a página de cozinhas, os novos designs e os artigos do blog, como o guia de iluminação de cozinha.
Projeto desenvolvido com o PIMO PRO.
Está a planear uma cozinha por medida? Peça um orçamento ou fale connosco para começar o projeto.


